A sua compulsão não é sua inimiga: ela é um pedido de socorro

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Cintia Seabra

Psicóloga especialista em Compulsão Alimentar e Emagrecimento.

Talvez você tenha chegado aqui esperando que eu te ensinasse a “vencer” a compulsão — como quem vence uma batalha contra um inimigo. Mas quero te convidar a olhar por outro ângulo, um que tem mudado a vida de muitas mulheres no meu consultório.

E se a sua compulsão não fosse sua inimiga? E se ela fosse — por mais absurdo que pareça — uma forma de proteção?

O que a compulsão faz por você

Quando você come ou compra compulsivamente, algo acontece: a ansiedade diminui. A dor emocional dá uma trégua. Por alguns instantes, você se sente aliviada.

Por que o seu cérebro repetiria um comportamento que te machuca tanto? Porque, naquele momento, ele não pensa no depois — ele encontrou um mecanismo que reduz o sofrimento agora. É como uma ferida aberta: sem curativo, você improvisa. Põe um pano, um esparadrapo, o que tiver. Não é o ideal, mas te protege até você conseguir o tratamento certo.

A compulsão é esse improviso emocional. Não é a cura — mas foi o que te sustentou até aqui. Ela não nasceu para te destruir. Nasceu para te manter em pé diante de uma dor que você não sabia como enfrentar.

Por que proibir não funciona

Se a compulsão é uma proteção, você entende por que “parar de comer” ou “parar de comprar” simplesmente não funciona. Quando você tira o anestésico sem tratar a ferida, a dor volta — e mais forte. É o efeito estilingue: quanto mais você se proíbe, mais o impulso se fortalece. Porque você está brigando com uma parte de você que só estava tentando ajudar, do único jeito que conhece.

Pensa numa criança assustada, no meio de uma tempestade, agarrada a um cobertor velho. Se você arranca o cobertor gritando “larga isso”, ela chora mais e se agarra com mais força. Mas se você senta ao lado dela e diz: “eu sei que o cobertor te acalma. Não vou tirá-lo de você. Estou aqui — e a gente vai atravessar a tempestade juntas” — ela se sente segura para, aos poucos, soltar.

Essa criança é você. O cobertor é a compulsão. E a tempestade é a dor que você ainda não aprendeu a atravessar com companhia.

O caminho não é arrancar. É compreender.

No meu trabalho, não pergunto “como fazer a paciente parar de comer?”. Pergunto: “o que essa compulsão está protegendo?”

Para algumas mulheres, ela protege de uma solidão antiga — da sensação de que, no fundo, ninguém fica. Para outras, de um medo paralisante de não ser amada. Para muitas, de memórias que doem: abusos silenciosos, perdas não choradas, infâncias em que faltou cuidado.

A comida e a compra são as guardiãs dessa dor. Enquanto você come ou compra, não precisa senti-la. E sentir é a coisa mais assustadora do mundo quando você nunca teve um lugar seguro para sentir.

Uma carta para a sua compulsão

Quero te propor um exercício simples, que já transformou muitas pacientes: escreva uma carta para a sua compulsão. Comece assim: “Você apareceu na minha vida para…” E escreva sem censura. Talvez descubra que ela veio depois de um trauma, de uma perda, de uma época em que você precisava de algo para segurar.

Ao escrever, não brigue com ela. Apenas escute. E, se sentir coragem, termine assim: “Eu sei que você tentou me proteger. Mas quero te mostrar que existem outros jeitos. Vem comigo?”

A compulsão não precisa ser arrancada. Ela precisa ser compreendida, agradecida e transformada. Quando você entende o que ela protege, ela perde a função — e o que era muleta vira algo que você não precisa mais carregar.


E se você quer dar esse passo?

Se ao ler este texto você reconheceu que a sua compulsão carrega uma dor que nunca teve lugar para ser sentida, quero te dizer uma coisa: esse lugar pode existir. E é exatamente isso que o meu trabalho terapêutico oferece.

Na psicoterapia, a gente não vai brigar com a sua compulsão nem te julgar por ela. Vamos, juntas, entender de onde ela veio, o que ela está protegendo e o que ela tenta te dizer há tanto tempo. Vou caminhar ao seu lado — com acolhimento, sem pressa e sem julgamento — para que você descubra formas de cuidar de si que sustentem de verdade, em vez de anestesiar.

Meu trabalho é prático, consistente e voltado a mudanças reais: cada sessão tem um propósito claro, cada conversa tem um encaminhamento concreto. Porque teoria sem aplicação não transforma ninguém — e transformação é o que você veio buscar.

Você não precisa continuar carregando essa dor em silêncio, pagando com o próprio corpo o preço de um alívio que nunca dura. Merece atravessar essa tempestade com companhia — e se reconhecer, finalmente, como a mulher forte que sempre foi.

A psicoterapia pode ser esse começo. E eu posso caminhar com você.

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