Se você já tentou emagrecer algumas vezes, vive o famoso efeito sanfona ou tem aquela sensação de que “já tentou de tudo” — este artigo foi escrito para você.
Você sabia que 64% da população brasileira está brigando com a balança? Pensa bem: a cada 10 pessoas, seis reclamam do peso quando se olham no espelho. Não é uma minoria. E não é falta de força de vontade — eu preciso que você escute isso com carinho.
No meu consultório, recebo todos os dias mulheres incríveis que chegam dizendo: “Cíntia, eu já tentei de tudo.” E eu sempre pergunto: “Você já fez terapia para isso?” A resposta, na maioria das vezes, é: “Para isso, nunca.” Pois é. Aí a gente começa a entender por que o emagrecimento não vem.
Porque emagrecer não é apenas fechar a boca e suar na academia. Não é comer menos e gastar mais calorias. Por trás da dificuldade de emagrecer existem fatores emocionais e mentais — e são exatamente esses que eu quero que você conheça hoje.

Vou te mostrar os oito grandes sabotadores do seu emagrecimento. Se você se identificar com algum, respira. Identificar é o primeiro passo para transformar.
1. A crença de que você não vai emagrecer
O primeiro sabotador é o mais contraditório de todos: achar que você não vai conseguir.
Parece um paradoxo, mas é verdade. Quando você carrega a crença de que “não é para mim”, “já tentei de tudo”, “vou passar a vida inteira pesando o que eu peso”, qualquer escorregãozinho natural vira a prova de que você tinha razão. “Tá vendo? Era para não emagrecer mesmo.”
Crença é aquilo que a gente acredita e carrega com sentimento de verdade. E se você acredita que não vai emagrecer, você não vai emagrecer — porque na primeira curva você desiste de se levantar.
Então vamos fazer um trato? Vamos colocar um X no seu passado. Eu sei que você teve inúmeras tentativas, gastou dinheiro, se frustrou, foi marcada pela história do seu peso. Mas o peso que você deseja não está no seu passado — está no seu futuro. E é para a frente que você vai olhar daqui para frente.
Você vai escorregar? Vai. Você vai parar no chão? Vai. Porque a vida é assim para todos nós. O que faz a diferença não é cair — é levantar e seguir. A sabotagem começa quando você já desistiu antes de começar.
2. O sofrimento emocional que vira comida
Segundo sabotador: quando a comida vira refúgio para dores que não são resolvidas.
Você tem um problema no casamento e, em vez de conversar, engole. Uma questão no trabalho que você não desabafa com ninguém. Uma frustração que você não sabe onde colocar. E a comida vai entrando como uma anestesia para essas dores.
Repare: você não come só por fome física. Come por ansiedade, por estresse, por cansaço, por frustração. E aqui eu digo com todo o carinho: às vezes você não está com fome de comida. Está com fome de descanso, de acolhimento, de paz, de limite, de cuidado.
Eu gosto muito de dizer: o que você não coloca para fora, você coloca para dentro. Você engole o chefe, engole o marido, engole a mãe — e aí engole a comida junto. Por isso a terapia é tão importante: ela te dá ferramentas para lidar com as emoções, para você parar de engolir tanta coisa.
E aprenda a dividir. Eu sei que muita gente tem vergonha, acha que não quer dar trabalho, que ninguém se interessa. Mas repare: você acolhe todo mundo que se abre com você, não é? Então por que você não se permite receber acolhimento também? Bater um papo com alguém de confiança faz milagres. Senão, o que não sai pela boca, entra pela boca — em forma de comida.
3. Os pensamentos que sabotam
O terceiro sabotador está na sua cabeça, funcionando em piloto automático. Conhece esses pensamentos?
- “Já que eu errei, agora tanto faz.”
- “Ou eu faço tudo perfeito, ou não faço nada.”
- “Eu nunca consigo. Sempre volto para o mesmo lugar.”
Isso é o pensamento do tudo ou nada — e ele é uma autossabotagem do tamanho do mundo. Quanto mais dura você for com você, mais difícil fica o emagrecimento. Perfeccionismo, rigidez, autocrítica: isso é o chicote que você mesma usa.
Guarde esta frase: as pessoas que verdadeiramente emagrecem são aquelas que estão sempre começando de novo. Não porque nunca falham — mas porque contam com as falhas. Elas escorregam, caem, e levantam. A constância se constrói incluindo as falhas, não as excluindo.
E lembre-se: se tem uma relação que é para sempre, é a relação você com você. Você gostaria de conviver com alguém que te critica o tempo todo, que é rígido e exigente demais? Não? Então por que você faz isso com você mesma?
4. Autoabandono: se deixar por último
O quarto sabotador é aquele que mais vejo entre as mulheres: o autoabandono.
São aquelas pessoas que fazem tudo pelos outros, estão sempre disponíveis, resolvem a vida de todo mundo — e para elas mesmas fica só o restinho. Se você não tem tempo para você, se você cuida de todos e se deixa por último, como vai emagrecer?
E tem mais: quem tem dificuldade de se priorizar geralmente tem dificuldade de falar “não”. E falar não é fundamental no emagrecimento. Cada “sim” que você diz a contra gosto é um “não” que você diz para você mesma — e isso dá munição para o descontrole com a comida.
Quer agradar todo mundo? Não dá. Carregar o problema dos outros nas costas? Também não. Limite é como o muro de uma casa: ele protege o que é seu. Sem muro, entra tudo, sai tudo. Aprenda a colocar o seu portão — e a escolher quem você deixa entrar.
Muitas mulheres não engordam só pelo que comem. Engordam também pelo peso emocional que carregam.
5. Traumas e dores antigas, silenciosas e profundas
O quinto sabotador é o mais profundo de todos: as marcas da história de vida.
Bulling na escola ou dentro de casa. Abusos que ninguém imaginava. Uma separação que machucou demais. A perda de alguém importante. Ressentimentos engolidos, raivas que nunca foram ditas. Tudo isso pesa — e peso emocional vira peso no corpo.
E aqui está uma verdade que muita gente não sabe: trauma não é o que aconteceu lá atrás. Trauma é o que acontece com você hoje, como reflexo do que você viveu lá. É aquela mulher que come sem parar, que tem vergonha de si, que não consegue confiar, que morre de medo da rejeição — tudo isso é o trauma se manifestando agora.
A baixa autoestima também mora aqui: quando você não acredita em si, age como quem não pode mudar. E a psicoterapia é o lugar onde essas feridas são cuidadas com ciência, respeito e acolhimento.
Muita mulher não está lutando só contra o peso. Está lutando contra dores antigas, silenciosas e profundas.
Será que você sabe quais são as suas dores? Será que você já fez essa relação entre elas e o seu emagrecimento? Talvez seja hora de olhar para isso.
6. Os padrões invisíveis que mantêm o ciclo
O sexto sabotador são os padrões que você repete sem perceber. Vou listar alguns — anota aí os que fizerem sentido para você:
- Desconexão com o próprio corpo — vive só na cabeça, é racional demais, mas não percebe nem fome, nem saciedade, nem cansaço. Não sente a barriga roncar, não percebe tensão e exaustão
- Falta de autoconhecimento — conhece melhor o carro, o filho, o trabalho do que a si mesma
- Repetição de padrões emocionais — sempre a mesma historinha: sempre frustrada, sempre com raiva, sempre “não vou conseguir”
- Comer no automático — come em pé, no celular, vendo TV, trabalhando, com pressa. Quando você come distraída, não percebe a saciedade — e exagera
- Dormir mal — e aqui um alerta: dormir mal desregula a leptina e a grelina, os hormônios da fome e da saciedade, e ainda mexe com o cortisol. Sono ruim = mais fome, menos saciedade, mais irritação. E mais comida
- Buscar solução rápida sem tratar a causa — o corpo pesado é o sintoma. Qual é a causa? Se você só trata o sintoma, é como tomar analgésico para dor de cabeça causada pelo óculos errado: a dor volta. Tem que ir na raiz
- Necessidade de controle e imediatismo — quer emagrecer 10 kg em um mês? Pezinho no chão. Emagrecimento sustentável não tem pressa
- Mentalidade de proibição — “até azeite na salada engorda?”, “não posso comer pão”, “manga engorda”. Isso é herança de muita dieta. Você pode comer de tudo — com liberdade e responsabilidade
- Dificuldade de sustentar o desconforto — tem dia que a gente não está bem, e está tudo bem. Passou? Passa. Aprender a segurar aquele “preciso de um docinho agora” é maturidade emocional
- Culpa por se priorizar — se cuidar não é egoísmo. Você é a responsável número um pela sua vida. O seu emagrecimento é seu
- Medo de se destacar e de receber coisas boas — se você tem dificuldade de receber uma coisa boa na vida, não está preparada para receber o seu emagrecimento. Você merece
- Identidade ligada ao sofrimento e medo da mudança — tem pessoas que passam a vida inteira tentando emagrecer e sentem medo de chegar lá. “Eu não sei nem como é ser magra.” Quando você emagrece, você não muda só o corpo: muda relações, autoestima, limites, presença. E isso assusta. Às vezes você não sabota só o emagrecimento. Você sabota a mudança que o emagrecimento representa.
Não é à toa que muita gente mantém as roupas grandes no guarda-roupa, “por garantia”. Olha o perigo da mente: ela se prepara para o fracasso. Que tal abrir espaço para o sucesso?
7. O efeito sanfona
E chegamos ao sétimo sabotador: o efeito sanfona.
Grande parte das mulheres que passaram por ele usou dietas restritivas, métodos milagrosos e promessas de emagrecimento rápido. E o que acontece? Quanto mais restritivo e rápido é o emagrecimento, mais fácil é a compulsão voltar — e o peso voltar em dobro.
Perdeu 10, 15 quilos em um mês? Depois engorda 30. É assim que funciona quando se trata só o sintoma, sem cuidar da causa.
Desconfie do que é muito fácil. Não existe almoço grátis. Emagrecimento de verdade, que se sustenta e diz adeus à sanfona, é o que cuida da cabeça, das emoções e da história — de dentro para fora.
O que a comida está tentando silenciar?
Se você chegou até aqui, quero deixar você com uma reflexão que pode mudar a sua relação com a comida para sempre:
O que sabota o seu emagrecimento muitas vezes não é a comida em si — é o que a comida está tentando silenciar.
A comida é até uma aliada, uma parceira. Ela traz alívio, anestesia. Mas ela está tentando silenciar alguma coisa: um casamento difícil, um trabalho que sufoca, uma relação com a mãe ou com o pai, uma solidão, uma falta de grana, um medo. Tem algo na sua vida que está precisando ser olhado. Que algo é esse?
Emagrecer é, antes de tudo, um ato de coragem. É olhar para dentro, fazer as pazes com a sua história, se priorizar sem culpa, aprender a falar “não”, sustentar o desconforto e se levantar quantas vezes forem necessárias.
Caiu? Levanta. A vida não é sobre quem bate mais forte — é sobre quem levanta o tempo todo.
E lembre-se: o que você quer está na sua frente, não atrás. Respira, olha para a frente e segue. Você é capaz. E eu estou aqui, caminhando com você.


