“Segunda-feira eu começo.”
Quantas vezes essa mulher já disse essa frase para si mesma? Quantas segundas-feiras ela já começou uma dieta nova, cheia de esperança, convencida de que dessa vez seria diferente? E quantas vezes, algumas semanas depois, ela se viu de novo diante da geladeira, comendo tudo o que tinha prometido não comer, e se odiando por isso?
Eu atendo mulheres que já emagreceram muitas vezes. Que já gastaram muito dinheiro tentando. Que já tentaram de tudo — dieta, remédio, jejum, academia, promessa. E que, no fim, sempre voltam ao mesmo lugar. O efeito sanfona.
E a primeira coisa que eu quero dizer é: isso não é falta de força de vontade.
Eu sei que essa mulher se sente fraca. Eu sei que ela se sente um fracasso. Eu sei que ela já ouviu, dentro da própria cabeça, que o problema é ela, que ela não tem disciplina, que ela não se esforça o suficiente.
Mas eu preciso dizer: não é isso.
O efeito sanfona não acontece porque a mulher é fraca. Ele acontece, muitas vezes, porque ela está tentando resolver com dieta um problema que não é só de dieta. Ela está tentando emagrecer com restrição um corpo que está reagindo a emoções que ela não está lidando.
Pensa comigo. A mulher que come descontroladamente quando está ansiosa. A mulher que desconta na comida quando passa um nervoso. A mulher que come em excesso por preocupação, por medo, por insegurança. A mulher que carrega o mundo nas costas e engorda.
Para essa mulher, a comida nunca foi só comida. A comida sempre foi uma forma de lidar com a vida. E quando ela tira a comida — quando ela faz dieta — ela fica sem o único mecanismo que tinha para se acalmar. Então o que acontece? Ela não aguenta. Ela explode. Ela come tudo. E o ciclo recomeça.
Não é falta de força de vontade. É que a dieta ataca o sintoma, mas não toca na causa.

E não sou só eu que digo isso. A pesquisa sobre dietas restritivas é consistente: dietas muito restritivas e de curto prazo têm altas taxas de abandono e de reganho de peso. Estudos de longo prazo mostram que a maioria das pessoas que perde peso com dietas restritivas recupera grande parte do peso em poucos anos. Isso não acontece por falta de disciplina — acontece porque a restrição severa, sem trabalho sobre a relação emocional com a comida, dificilmente se sustenta.
E tem mais um detalhe cruel do efeito sanfona: cada vez que ela engorda de novo, ela se sente mais fraca, mais sem esperança, mais convencida de que não consegue. E é exatamente essa sensação de fracasso que a faz comer mais. É um ciclo que se alimenta da própria vergonha.
A mulher que vive em guerra com o corpo nunca chega em lugar nenhum. Porque emagrecer não é sobre vencer uma batalha contra o próprio corpo. É sobre fazer as pazes com ele.
E fazer as pazes não é aceitar ficar do jeito que está e desistir. É entender que o corpo não é o inimigo. É entender que a comida não é o problema. É entender que, enquanto ela não cuidar do que sente, nenhuma dieta vai segurar.
Não é sobre a próxima dieta. É sobre a relação dela com a comida, com o corpo e com ela mesma.
E aqui vai um caminho concreto para começar, sem pressa e sem culpa: em vez de uma dieta restritiva, escolher uma mudança pequena e sustentável — como comer uma refeição por dia sem distrações, prestando atenção no que sente. Não para emagrecer rápido, mas para começar a reconstruir a confiança com o próprio corpo. Um passo de cada vez. É assim que o emagrecimento deixa de ser sanfona e vira transformação.
Este conteúdo é educativo e não substitui o acompanhamento psicológico individual.
Referências:
- Mann, T., Tomiyama, A. J., Westling, E., Lew, A. M., Samuels, B., & Chatman, J. (2007). Medicare’s search for effective obesity treatments: Diets are not the answer. American Psychologist, 62(3), 220–233.
- Tomiyama, A. J., Ahlstrom, B., & Mann, T. (2013). Long-term effects of dieting: Is weight loss related to health? Social and Personality Psychology Compass, 7(4), 200–208.
- Fairburn, C. G. (2013). Overcoming Binge Eating (2nd ed.). Guilford Press.


